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Mariana Peixoto

 

Quando era miúda tinha um grande dilema. 

Apanhar flores para as secar ou deixá-las viver até ser-lhes possível.

Nos meus livros existiam sempre flores prensadas. 

Às vezes esquecia-me lá delas, outras vezes abria o livro de 5 em 5 minutos para ver a evolução do processo de secagem. 

Sempre cativaram-me pela cor, textura ou forma e não as queria perder de forma alguma.

Agora percebo que o melhor que fazia era mesmo prolongar a sua vida através da sua morte. 

Porque ainda hoje as tenho e as recordações e sensações são inexplicáveis. 

Por isso decidi fazer deste processo, o projeto da minha vida. 

Prolongar a satisfação de ter as mesmas flores durante anos.

Flores simbólicas de um dia ou alguém muito especial.